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  • Renan Vicente da Silva

A simbiose com a natureza é a memória viva de Chico Mendes



No dia 22 de novembro, relembramos o dia da ancestralidade de Chico Mendes, um dos maiores ativistas e guardiões da floresta, conjuntamente com os povos originários e a povaria seringueira. Foi assassinado na porta de sua casa. Sem qualquer possibilidade de escape, a morte se fez presente. Por mais, que sua existência estivesse em risco, por isso, andava com escolta estatal, mas seu corpo foi atingido por tiros, em seu último respirar. Porém, seu morrer ecoou pelos mundos, tornando-se um mártir da luta pela natureza.


Reconheço que não sou conhecedor das várias andanças e revoluções promovidas por Chico Mendes, mas não poderia me silenciar diante de tamanha presença e liderança no lutar pela floresta em pé. Me recordo que conheci sua história, num texto que li sobre uma estratégia criada por ele, a chamada técnica do empate. Na qual reunia um grupo de pessoas, e juntes, colocavam seus corpos amarrados numa árvore. Assim, os madeireiros e grileiros que quisessem derrubá-la, teriam que cortar também seus troncos corporais, ou ela continuaria em pé. Foi algo extraordinário e simples, num nível de simbiose com a mata, a qual alcançou e reverberou em mim.


No ancestralizar de Chico Mendes, devemos retomar toda essa energia, a qual foi entregue para proteger nosso bem-viver. As florestas são nossas fontes inesgotáveis de vida. Não existirá futuros, sem árvores, rios e bichos. Sem essa compreensão a partir do chão da mata, continuaremos devorando esse planeta. Até não restar qualquer outra forma de existência orgânica, apenas sintética. É nesse devir que acredito e desloco toda minha escrevivência, pois sinto a alma de Chico Mendes em nós. Sua espiritualidade guia nossos caminhares, principalmente, das pessoas que estão no centro do mundo. Nas Amazônias que estão em disputas pelo poder do dinheiro, essa coisificação capitalista, a qual apenas mata até não restar nada.


É mais que urgente nos colocarmos, em corpos e mentes, na frente de cada árvore que ainda ousa permanecer enraizada nesse solo. Já que não podemos renunciar dessa responsabilidade ancestral, que vai muito além de mim, além de nós. É uma libertação de futuros, os quais estão tão sequestrados, que nem conseguimos dimensionar. Não vivemos nos mesmos tempos que Chico Mendes, mas seus aprendizados necessitam reverberar e se materializar em nossos existires. É com todo esse axé que ele se faz presente, aqui e agora, o qual transborda numa postura radical pela retomada com a terra, pois retornaremos como parte integrante nela em nosso morrer.


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Ipiabas, 22 de dezembro de 2022



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