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QUEM SOU EU?

Uma breve escrita sobre mim

Pelas lentes de Eduardo Henrique Oliveira (@eduolit

Me nomeio Renan Vicente da Silva, possuo 24 anos, habito em um corpo negro afro-diaspórico, gay, vegetariano, interiorano, inspirador em saúde (educando de fisioterapia na Universidade Federal do Rio de Janeiro). Alguns traços das minhas origens territoriais, habito em Barra do Piraí, mais especificamente no distrito de Ipiabas, um resistente paraíso da Mata Atlântica no interior do estado do Rio de Janeiro. Um lar que, nos últimos tempos, estou me encontrando e reencontrando diariamente com meus interiores. Já que consigo fluir respirando com a natureza, em sua potência e colapso de si, resistindo na impossibilidade de amanhã cada vez mais presente. Esse desconforto existencial me desloca para as palavras escritas, sendo uma forma de buscar oxigênio sob os joelhos brancos asfixiadores, destruidores, colonizadores. As minhas movimentações acadêmicas ocorrem num espaço público e gratuito que ocupo com muita crítica, cuidado, acolhimento e serenidade. Dentro desse meio, me envolvo em uma ação de extensão no território de favela, o Espaço Acolhe Manguinhos, na perspectiva da educação popular e pensamento decolonial no cuidado em saúde, a fim de promover a libertação de outros mundos na construção do nosso Sistema Único de Saúde (SUS). Nas encruzilhadas da vida, me assentei nas minhas palavras escritas como possibilidade de sobreviver, e também, tentar salvar outras pessoas leitoras de minhas singelas escritas. Escrever é um ato de insurreição do povo negro, indígena, quilombola, ribeirinha, pois nos utilizamos da arma do homem branco como defesa semeadora de nossas ancestralidades. Não iremos deixar silenciar nossas histórias, basta! As narrativas negras irão ecoar para além dos navios negreiros, senzalas e escravidões sociais. Indo de encontro com o racismo estrutural e institucional, assim, nas minhas palavras escritas, me posiciono e luto para fixar raízes no mundo da diáspora negra, e neste território virtual, me coloco para ser lido e alcançarmos uma rebelião coletiva, aqui e agora.